Autor: Melquisedeque Oliveira de Castro
Todas as pessoas veem cores. Elas existem em suas mais diferentes formas, intensidades e tonalidades. Elas tem o poder de trazer sensações, modificarem as aparências e evocarem sentimentos. Estes sentimentos fazem com que escolhamos nossas cores favoritas. Alguns gostam do vermelho. Outros do preto. Alguns outros do branco. Mas e quanto aos que simplesmente não gostam de nenhuma cor?
Parece um tanto absurdo não. Como alguém pode não gostar de cores? Como assim? Como eles conseguem viver? Será que sentem emoções? Não veem que o vermelho é a cor mais bela que este mundo já nos ofereceu? Ou o preto? Poh, que seja o branco, mas que pelo menos que goste de alguma cor! Olha, eu sugiro que estas pessoas procurem um oftalmologistas pois devem estar doentes. Ou a alguma terapia, por não conseguirem ter a capacidade de sentir as emoções que só as cores nos fazem sentir. Estas pessoas não sabem o que é vida! São uns daltônicos!
Há aqueles que virão em defesa desta minoria que não gostam de cores. Afinal, por que necessariamente eles devem ter uma cor favorita? Porque não podem viverem suas vidas da forma como querem, com os sentimentos que tem, desde que sejam felizes e isto não traga problemas para a suas saúde ou atividades rotineiras. O ser humano é tão diverso, por que deveríamos nos preocupar com quem gosta do preto, do vermelho do branco ou de cor nenhuma. Afinal, será que ser daltônico é realmente um problema?
Bom utilizei esta breve metáfora com as cores para tentar demonstrar que se a sexualidade fosse composta e medida pelas cores, então os assexuais seriam daltônicos. Não digo num tom de doença, mas sim, com respeito à suas orientações sexuais. Todas as pessoas tem uma sexualidade. Todas podem ter suas inclinações ou fetiches. Mas assexuais não compartilham destas mesmas inclinações sexuais. Alguns estão dentro de algum espectro sexual, mas são baixos o suficiente para poderes serem considerados como sexuais. Estes seriam os gray-as. Alguns estão na condição de só sentirem os desejos sexuais em certas condições, situações ou pessoas especificas. Estes são os demi-sexuais. E há os assexuais que não sentem nenhuma atração ou interesse por sexo. Alguns nem desejam estar em um relacionamento. São os a-românticos.
Mas nós nos preocupamos com as cores que os outros gostam. Dividimos e classificamos os seres humanos de acordo com os seus gostos. Mesmo entre os "daltônicos" há os diferentes tons de cinza que compõe nosso mundo daltônico. Tudo isto demonstrando para quem quiser ver, que sim, humanos são diversos e tem preferencias, gostos e condições diversas, as vezes especificas e individuais! Outras fazendo parte de todo um grupo.
Mas sim. Para critérios de controle politico e interesses financeiros, os detentores de poder os quais comandam todo o pensamento de cada cultura, (os quais nos dias de hoje, estão na figura de médicos, professores, lideres religiosos, especialistas acadêmicos e programas midiáticos) preferiram determinar que o sentimento saudável é gostar do vermelho e que os que preferem as demais preferencia são uma aberração, uma afronta aos valores humanos ou doenças.
Nesse sentido, me sinto como naquele filme do X-man, onde a cura era oferecida às pessoas que nasciam com anomalias genéticas (os mutantes) e enquanto alguns mutantes entravam na fila para aceitarem passivamente receberem a cura e terem a vida estipulada como "normal" há os outros mutantes gritando "não há cura! Não há cura!"
Sendo assim, cabe a cada um de nós escolher quem seremos. Os mutantes obedientes ou os militantes? Os que estipulam o poder dizendo o que é normal ou os que simplesmente repetem estes discursos? Os abstentes, que não assumem nenhum partido? Isto então os coloca direto na posição dos coniventes com este discurso, que sim é uma escolha deles, como qualquer outra. A vida é sua, meu amigo! Faça sua opção.
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