sexta-feira, 17 de julho de 2015

NO PAÍS DE ZANUBAR

Autor: Melquisedeque Castro

O país de Zanubar é um pais diferente e excêntrico. Lá ninguém tem atração por sexo e todos vivem em perfeita harmonia.  Para fins de procriação, as pessoas podem escolher terem relações sexuais uma unica vez ou então, terem filhos por inseminação artificial, o que é mais utilizado e mais incentivado, visto que assim, se permite uma melhor variabilidade genética.
As novelas e filmes de Zanibar, sempre exploram o lado mais lindo do amor entre duas pessoas. Não há sexo, não há apelação para a sensualidade. Nas escolas, os adolescentes  gostam de falar de Mangás, livros, comidas, e amigos. Não há nenhuma rodinha escondida de meninos no banheiro vendo revistas pornôs ou algo do tipo. Lá o sexo não é explorado. Não que seja um tabu, mas porque ninguém sente a necessidade e atração por sexo.
As religiões, no entanto, desincentivam o namoro. Afeto e carinho entre duas pessoas, só depois do casamento e o casamento só deve acontecer, de comum acordo entre duas pessoas,que escolhem viver juntos para melhor lidar com os problemas e dificuldades financeiras da vida cotidiana. Esta é a ideologia que as religiões e os grupos mais conservadores pregam, e embora ,de fato tenha sido assim no passado de Zanubar, hoje em dia sua sociedade é mais liberal e os namoros entre os jovens já são comuns e abertos ao publico. As escolas apenas incentivam qual a forma ideal de viver estes sentimentos e afetos durante o namoro dizendo que, a forma mais saudável é o namoro sem beijo, visto que a troca de salivas traz também a troca de bactérias nocivas à saúde, que pode gerar doenças tanto bucais quanto gastro intestinais. Esta também é a opinião dos médicos e outros especialistas que vão nos programas midiáticos quando falam da boa saúde. Como toda mídia está sempre ligada com finalidades politicas a intenção, obviamente, é educar a população para o comportamento tido como aceitável naquela sociedade. Não há obviamente uma relação direta entre o beijo e doenças gastro-intestinais, mas eles insistem em propagandas e divulgam campanhas de doenças oralmente transmissíveis, principalmente nos beijos entre casais para tentar normatizar comportamentos.
Andubar, é um adolescente de 15 anos que vive neste pais. Ele é de uma família de classe média e seus pais são professores. É um ótimo aluno e pretende cursar a carreira de Direito na faculdade. No entanto, na escola ele percebeu que era um tanto diferente dos seus demais colegas. Ele não se interessava, em conversas de namoro e assuntos parecidos, na parte unicamente sentimental e afetiva do relacionamento. Ele queria mais. Ele queria fazer sexo com uma menina. E antes fosse apenas na escola. Seus amigos e qualquer pessoa que ele conhecia, parecia não ter este mesmo sentimento que ele. Ninguém pensava em sexo então  este sentimento, era algo que ele não sabia explicar o porque que ele o sentia. Até aonde sabia, era o único cara no mundo que sentia o desejo de fazer sexo, de realizar suas fantasias sexuais que ele imaginava quando pensava em uma namorada imaginária. Não houve nenhum modelo social que explicasse a origem destes sentimentos e fantasias. Ele só sabia que ele queria sexo com alguém. Sempre quando pensava em namoro, automaticamente pensava em sexo. Não havia esta separação que as pessoas fazem entre afeto e sexo num namoro. Para ele, tudo era uma única coisa só.  Ele devia ser um louco, com toda a certeza! Era isto o que ele sempre  pensava.
Em um dado dia, quando estava reunido com seus amigos e o assunto se voltou para como seriam seus futuros namoros, ele resolveu falar sobre tais sentimentos. Ele não esperava que o seus amigos entendessem, mas ele não podia mais guardar este sentimento só para si. Precisava falar disto para alguém. No entanto, o que seus amigos fizeram foi cruel. Zombaram dele por meses seguidos. Aonde já se viu alguém querer penetrar sua namorada em um relacionamento? Ter fantasias sexuais? Não há como. Não existe nenhum indicio deste na biologia. Animais fazem sexo só para procriação. Darwin provou que nós também somos animais. Qualquer pessoa no mundo, quando pensa em fazer sexo é só para esta manter a espécie. Mas ter prazer relacionado a isto? Se sentir atraído por tal prática? Cara doido! Vai procurar um psicólogo ou psiquiatra para se tratar! E antes fosse só estes comentários. Apelidos de "quente" e "tarado" eram utilizados de forma pejorativa quando ele passava. Andubar não conseguia entender o porque de as pessoas simplesmente não entenderem que sua forma de pensar é diferente. Mas ainda assim, decidiu que não falaria mais disto para ninguém.
Alguns anos se passaram desde então e agora Andubar tinha 22 anos. Ele realmente já tinha ido em médicos e psicólogos para tentar entender o porque ele sentia tais sentimentos sexuais. No entanto, tudo o que conseguiu foi um diagnóstico de hiperatividade e da parte dos médicos, medicamentos para "acalmar os ânimos" enquanto que psicólogos tentavam convencê-lo de que esta era apenas uma fase ou um sentimento equivocado; que logo passaria e que ele se tornaria uma pessoa comum como qualquer outra. Obviamente que nenhum dos dois tratamentos teve muito efeito e Andubar continuou a ter as mesmas fantasias e sentimentos sexuais por pessoas ao pensar em  namoro.
No entanto, em uma noite, quando estava na internet, ele viu uma reportagem, em um site, falando sobre pessoas "sexuadas". Isto chamou sua atenção. Na reportagem dizia sobre uma minoria que sentia atrações sexuais e interesse em fazer sexo com outras pessoas. Segundo o site, elas eram pessoas normais, como qualquer outra e que, assim como ele, já havia tentado desde tratamento com medicamentos e hormônios, terapias à tratamento de eletrochoque para tentar deixar de ter tais atrações sexuais, mas que não tiveram muito efeito. Nos dias atuais, esta minoria reivindicava que seus sentimentos não fossem mais vistos como uma enfermidade, mas sim como uma orientação sexual, por isto preferiam utilizar o termo sexual, ao invés do popular "sexuado", como eram tratados pelos mais leigos. Alguns pesquisadores já inciavam pesquisas científicas com estas pessoas, para melhor entender como eles subjetivavam seus ideais de relacionamentos e assim como eles, já não tratavam mais esta minoria como enfermidade, mas como pessoas que faziam parte de uma diversidade.  E assim como as pessoas assexuais, as sexuais também podiam ter atrações hetero, homo, bi ou pan românticas, mas de igual forma, tinham desejo de também fazerem sexo em tais relacionamentos. Daí, entre eles, os sexuais", eram denominados de heterossexuais, homossexuais, bissexuais e panssexuais. Já se cogitavam até outros nomes, baseados em diferentes formas de interesses afetivos e sexuais, mas ainda pouco divulgados.
Andubar realmente adorou saber que havia mais pessoas como ele, e se aprofundou mais no assunto. Descobriu algumas comunidades de sexuais na internet, de pessoas sexuais, que não só davam seus depoimentos, como também, em fóruns, questionavam alguns de seus sentimentos além de modelos normativos sociais, que tanto os afligiu fazendo-os acreditarem que era estranho.
Desta forma, depois de alguns meses de pesquisas, Andubar se descobriu como  sendo na verdade, um sexual e não o doente que todos achavam que era. Obviamente, o grupo de sexuais ainda sofriam preconceito da sociedade, que os menosprezavam em discursos que os definiam como "ser só uma fase ou uma ideologia filosófica de vida" ou "doentes por irem contra a natureza biológica" ou "sexualidade não existe! Quando vocês tiverem esta experiência sexual, que tanto falam, verão que ela não faz sentido" e além de outras formas igualmente pejorativas. Mas ele não se importava. Descobrir que fazia parte de uma minoria talvez tenha o tivesse salvado da depressão ou do isolamento social, mas ele, assim como os outros sexuais, ainda seguem na esperança de que um dia serão vistos no país de Zanubar, como  fazendo parte da diversidade sexual humana, tal como os homoromânticos conseguiram. É uma longa batalha, mas há de se tentar.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O Daltonismo Sexual

  Autor: Melquisedeque Oliveira de Castro

          
Todas as pessoas veem cores. Elas existem em suas mais diferentes formas, intensidades e tonalidades. Elas tem o poder de trazer sensações, modificarem as aparências e evocarem sentimentos. Estes sentimentos fazem com que escolhamos nossas cores favoritas. Alguns gostam do vermelho. Outros do preto. Alguns outros do branco.  Mas e quanto aos que simplesmente não gostam de nenhuma cor?
Parece um tanto absurdo não. Como alguém pode não gostar de cores? Como assim? Como eles conseguem viver? Será que sentem emoções? Não veem que o vermelho é a cor mais bela que este mundo já nos ofereceu? Ou o preto? Poh, que seja  o branco, mas que pelo menos que goste de alguma cor! Olha, eu sugiro que estas pessoas procurem um oftalmologistas pois devem estar doentes. Ou a alguma terapia, por não conseguirem ter a capacidade de sentir as emoções que só as cores nos fazem sentir.  Estas pessoas  não sabem o que é vida! São uns daltônicos!
Há aqueles que virão em defesa desta minoria que não gostam de cores. Afinal, por que necessariamente eles devem ter uma cor favorita? Porque não podem viverem suas vidas da forma como querem, com os sentimentos que tem, desde que sejam felizes e isto não traga problemas para a suas saúde ou atividades rotineiras. O ser humano é tão diverso, por que deveríamos nos preocupar com quem gosta do preto, do vermelho do branco ou de cor nenhuma. Afinal, será que ser daltônico  é realmente um problema?
Bom utilizei esta breve metáfora com as cores para tentar demonstrar que se a  sexualidade fosse composta e medida pelas cores, então os assexuais seriam daltônicos. Não digo num tom de doença, mas sim, com respeito à suas orientações sexuais. Todas as pessoas tem uma sexualidade. Todas podem ter suas inclinações ou fetiches. Mas assexuais não compartilham destas mesmas inclinações sexuais. Alguns estão dentro de algum espectro sexual, mas são baixos o suficiente para poderes serem considerados como sexuais. Estes seriam os gray-as.  Alguns estão na condição de só sentirem os desejos sexuais em certas condições, situações ou pessoas especificas. Estes são os demi-sexuais. E há os assexuais que não sentem nenhuma atração ou interesse por sexo. Alguns nem desejam estar em um relacionamento. São os a-românticos.
Mas nós nos preocupamos com as cores que os outros gostam. Dividimos e classificamos os seres humanos de acordo com os seus gostos. Mesmo entre os "daltônicos" há os diferentes tons de cinza que compõe nosso mundo daltônico. Tudo isto demonstrando para quem quiser ver, que sim, humanos são diversos e tem preferencias, gostos e condições diversas, as vezes especificas e individuais! Outras fazendo parte de todo um grupo.
Mas sim. Para critérios de controle politico e interesses financeiros, os detentores de poder os quais comandam todo o pensamento de cada cultura, (os quais nos dias de hoje, estão na figura de médicos, professores, lideres religiosos, especialistas acadêmicos e programas midiáticos) preferiram determinar que o sentimento saudável é gostar do vermelho e que os que preferem as demais preferencia são uma aberração, uma afronta aos valores humanos ou doenças.
Nesse sentido, me sinto como naquele filme do X-man, onde a cura era oferecida às pessoas que nasciam com anomalias genéticas (os mutantes) e enquanto alguns mutantes entravam na fila para aceitarem passivamente receberem a cura e terem a vida estipulada como "normal" há os outros mutantes gritando "não há cura! Não há cura!"
Sendo assim, cabe a cada um de nós escolher quem seremos. Os mutantes obedientes ou os militantes? Os que estipulam o poder dizendo  o que é normal ou os que simplesmente repetem estes discursos? Os abstentes, que não assumem nenhum partido? Isto  então os coloca direto na posição dos coniventes com este discurso, que sim é uma escolha deles, como qualquer outra. A vida é sua, meu amigo! Faça sua opção.

domingo, 5 de julho de 2015

Quero começar o meu blog a respeito da assexualidade, com o video e depoimento de minha amiga pessoal Camila Hordones, Neste video, ela diz sobre como foi a sua vida como assexual, antes de descobrir sobre o termo ou mesmo saber que existiam outras pessoas assexuais e o que mudou em sua vida depois de descobrir esse novo mundo. Espero que gostem,